Resultados foram apresentados em artigo de servidores da Fundacentro durante simpósio internacional realizado neste mês em Portugal

Pesquisa da Fundacentro analisou a visão dos técnicos de segurança do trabalho sobre os fatores que motivam as decisões dos membros da alta administração das empresas para a melhoria da segurança e saúde no trabalho. Também se analisou quais aspectos, para eles, deveriam ser fortalecidos pelo governo para a promoção de melhorias.

O estudo resultou no artigo “Fatores de motivação para a melhoria da segurança e saúde no trabalho: a percepção de profissionais especializados”, que foi apresentado no International Symposium on Occupational Safety and Hygiene – SHO 2019, realizado nos dias 15 e 16 de abril, em Guimarães – Portugal. Posteriormente, o material será publicado no livro SHO2019 Proceedings Book.

“Embora vários estudos nessa área tenham sido realizados em países centrais, ainda se observa um amplo campo de pesquisa a ser explorado no contexto nacional, cujos resultados poderiam agregar elementos para o alcance de políticas públicas mais eficientes, eficazes e efetivas”, acredita o tecnologista da Fundacentro, Rogério Galvão, que coordenou a pesquisa.

Entre outubro e novembro de 2018, técnicos de segurança do trabalho, por meio do sindicato da categoria em São Paulo – o Sintesp, responderam a um questionário hospedado na plataforma Google Forms®. O método utilizado foi uma investigação quantitativa do tipo survey, que permite a coleta de dados a partir de características e opiniões de grupos de indivíduos. Os respondentes possuíam diversos vínculos de trabalho, e a maioria atuava em empresas com mais de 50 empregados no estado de São Paulo.

“A escolha do público-alvo, composto por técnicos de segurança do trabalho, mostrou-se bastante apropriada, pois são esses profissionais que estão na linha de frente das ações para a melhoria da Saúde e Segurança do Trabalho – SST, atuando nos Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho – Sesmt das empresas”, explica Galvão.

Fatores de motivação

Os pesquisadores utilizaram 10 fatores de motivação para elaborar as perguntas do questionário on-line, selecionados a partir de revisão bibliográfica e de resultados obtidos em pesquisa anterior com dirigentes sindicais, publicada no ano passado. São eles:

1. Risco de o empreendimento ser fiscalizado, multado ou interditado;

2. Dever de cumprimento das leis e regulamentos pertinentes;

3. Risco de ação civil ou criminal em caso de acidente do trabalho, incluindo ação regressiva acidentária para ressarcimento do INSS;

4. Evitar prejuízos com acidentes (afastamentos, despesas médicas, paralisação da produção, avaria em equipamentos, etc.);

5. Existência de políticas ou diretrizes corporativas em segurança e saúde no trabalho;

6. Iniciativas governamentais de sensibilização ou difusão de informações em segurança e saúde no trabalho;

7. Recomendação ou expectativa dos acionistas, clientes ou fornecedores para a melhoria da segurança e saúde no trabalho;

8. Pressão ou recomendação dos trabalhadores e suas representações para a melhoria da segurança e saúde no trabalho;

9. Flexibilização da alíquota de contribuição obrigatória relativa ao Seguro Acidente do Trabalho;

10. Possibilidade de ocorrer publicidade negativa da empresa em caso de acidente do trabalho.

Resultados

A pesquisa obteve 244 questionários com respostas válidas, sem dados faltantes. O risco de o empreendimento ser fiscalizado, multado ou interditado (25,4%) e o dever de cumprimento das leis e regulamentos pertinentes (23,8%) foram considerados os fatores mais importantes para influenciar as decisões dos membros da alta administração das empresas na melhoria da segurança e saúde no trabalho.

Também se questionou quais fatores deveriam ser fortalecidos ou melhor explorados pelo governo. Os técnicos de segurança responderam “iniciativas governamentais de sensibilização ou difusão de informações em segurança e saúde no trabalho” (25,8%), “dever de cumprimento das leis e regulamentos pertinentes” (23,4%) e “risco do empreendimento ser fiscalizado, multado ou interditado” (18,9%).

A maioria dos participantes era do sexo masculino (83,2%), com maior incidência na faixa etária de 31 a 40 anos (40,2%) e maior frequência de tempo na função entre 6 e 10 anos (34,8%). Grande parte nasceu em de São Paulo (56,6%) e realizou os últimos trabalhos nesse mesmo estado (68,4%). Quase 60% estavam empregados na função de técnico de segurança do trabalho, enquanto 12,7% estavam desempregados.

Realização

Um estudo do escritório australiano da consultoria KPMG, em que se procurou avaliar os fatores determinantes na motivação da alta administração, empresários e supervisores para o alcance de bons resultados na SST, realizado na década passada, inspirou a pesquisa da Fundacentro.

No caso da versão brasileira, a equipe de pesquisadores teve a participação do tecnologista José Damásio de Aquino e dos analistas em ciência e tecnologia Dalton Cusciano, Diego Oliveira e Luís Moraes, todos da Fundacentro, além do professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Alcides Barrichello.

Para os autores, o apoio do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo foi fundamental para a divulgação e coleta de dados para a pesquisa, especialmente, os diretores Adonai Ribeiro, Marcos Ribeiro e Sebastião Silva.

A pesquisa realizada faz parte do projeto “Fatores que influenciam a tomada de decisão para melhoria da segurança e saúde do trabalhador”, agregado à linha de pesquisa da Fundacentro “Políticas Públicas em Segurança e Saúde no Trabalho”.

Fonte: Fundacentro/ACS – Cristiane Reimberg em 30/04/2019

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